sexta-feira, 3 de julho de 2009

Gonçalo Brandão

Qual a evolução que teve no Belenenses até chegar a profissional?
Tive a sorte de começar no Belenenses, que é um clube onde a formação é muito boa. Embora só agora se conheçam mais jogadores lá formados (Ruben Amorim, Rolando, eu, Eliseu). Do onze titular dos juniores tínhamos nove nas selecções nacionais. Naquela passagem de juniores para seniores, aí penso que o Belenenses pode fazer melhor. A minha evolução foi boa. Estreei-me com 16 anos, com o mister Manuel José, em Alvalade. Passados dois jogos, o Filgueira ou o Wilson teve uma lesão e estreei-me como titular contra o Porto e embora tivéssemos perdido consegui fazer o golo na minha estreia.
A partir daí foi uma ascensão grande. Depois também por culpa minha estive mal fisicamente e estive pouco tempo em forma e como não estava a jogar optei por ser emprestado ao Charlton, até porque falava-se muito nos jornais que me tinha estreado muito cedo e depois não tinha explodido. Decidi ir para fora.

Como foi a experiência em Inglaterra? O futebol inglês revelou-se totalmente diferente?
Sim, totalmente diferente. Foi um choque em termos de futebol, por ser muito rápido e muito físico, mas foi bom para mim. Eles lá têm os reservas, que é já um nível profissional. Nas reservas fiz os 40 jogos que poderia ter feito e na equipa principal consegui fazer seis jogos na Premier League e Taça de Inglaterra, tinha 17 anos. Foi um ano muito bom que me permitiu voltar ao Belenenses com mais maturidade e mais forte. Joguei na época seguinte, depois veio o mister Jorge Jesus e tive azar, com uma lesão.
A partir daí veio um jogador que agarrou muito bem a oportunidade. Acabei estar quase sempre no banco ou a entrar como suplente. Ao fim do primeiro ano com o mister Jesus havia a hipótese de ser emprestado, mas ele apostava em mim e eu achei que iria ser importante para mim em termos de aprendizagem. Passei 16 anos no Belenenses, cresci lá como homem e tive pena da maneira como saí. Mas vai ser sempre o meu clube.

A passagem para o Siena como surgiu?
Foi o Verão passado, estava para renovar com o Belenenses. Era uma fase difícil, porque vinha de um ano sem jogar. Mesmo assim tive a sorte do mister Rui Caçador apostar em mim nos sub-21, já me conhecia há muitos anos e foi titular no Campeonato da Europa. Graças a esses jogos o Siena e o Málaga observaram-me e entraram em contacto com o Belenenses.
Sempre dei prioridade ao Belenenses, mas a direcção pareceu-me que estava mais preocupado com as finanças do que com o plantel e achou que o que eu estava a pedir era demasiado e eu decidi mudar de ares e ir para Itália.