sexta-feira, 19 de junho de 2009


Entrevista com Luís Boa Morte ao DN.

"Gostava de jogar um ano no Belenenses ou no V. Setúbal"
por ALEXANDRA TAVARES-TELESHoje

Luís Boa Morte regressou à selecção nacional no jogo com a Albânia. Depois de um afastamento, o jogador português não ficou surpreendido com a decisão de Carlos Queiroz. Ao fim de 11 anos no futebol inglês, o extremo-esquerdo do West Ham fala da carreira. Quer ficar na Premier League mais três épocas porque, diz, " só em Portugal um jogador de 30 ou 31 anos é considerado velho".

Depois de algum tempo afastado, regressou à selecção nacional. Foi apanhado de surpresa?
Não, porque tenho trabalhado muito. Além disso, no dia em que entender que já não estou em condições de dar o meu contributo à selecção serei o primeiro a informar isso a quem de direito. Por enquanto, a minha convocatória continua a não me surpreender.

Quando é que pensa pôr um ponto final na selecção?
Vamos ver.
Ainda não pensei nisso.

Foi convocado numa altura de muita pressão sobre a equipa, quando cada jogo é uma final. Sentiu essa pressão?
Quem não é capaz de aguentar a pressão não pode ser jogador de futebol. Sabemos que cada jogo é uma final e já todos nós, ao longo da carreira, disputámos finais.
Estamos a falar de jogadores internacionais, que não podem acusar esse peso.

Como foi o ambiente nos dias de estágio?
Penso que foi o mais descontraído possível. Todos os jogadores sabem que a equipa não pode perder um jogo, mas os jogos não se ganham por se estar sistematicamente a pensar neles, obcecados com essa ideia.

Nunca tinha trabalhado com Carlos Queiroz.
Tenho uma enorme facilidade em criar uma relação pacífica com os treinadores. Encontrei, também, alguns colegas novos, mas isso não constituiu um problema.

Carlos Queiroz foi criticado por ter apostado em si como titular (deixou Simão no banco, por exemplo).
Acredita que vai continuar a fazer parte dos convocados?
A selecção vai fazer um jogo amigável em Agosto. Nessa altura, os jogadores estão ainda na pré-época e, por isso, tudo está em aberto. Aconteça o que acontecer, o mais importante é mantermos este ritmo de vitória. Quando uma equipa está algum tempo sem ganhar sente dificuldade em dar a volta. Portugal, na Albânia, regressou às vitórias. Tem de manter esse caminho.

A equipa sentiu muitas dificuldades para ganhar aos albaneses...
Os albaneses já não são toscos. A equipa sabe jogar à bola, sabe criar situações de perigo. Portugal tem mais qualidade, mas o futebol albanês está a crescer.

Foi pela primeira vez à selecção com António Oliveira. É um dos jogadores mais antigos. Este balneário é muito diferente do balneário de Scolari, por exemplo?
Cada equipa faz o seu balneário, que é onde se começam a ganhar os jogos, numa mistura entre juventude e experiência. No futebol actual não há novos, nem velhos. Basta olhar para a selecção italiana, campeã do Mundo neste momento, ou para o campeonato inglês para perceber isso. Em Portugal, infelizmente, continua a pensar--se que um jogador com 30 ou 31 anos já está velho. Ainda há muito boa gente que não olha para o que se passa lá fora.

Lembra-se do primeiro jogo que fez pela selecção, um particular contra a França?
Nunca se esquece. Pessoalmente, o jogo correu bem, mas a equipa perdeu. E era um jogo especial, o primeiro após as polémicas meias-finais do Europeu de 2000. Os portugueses viam ali uma oportunidade de vingança.

Cristiano Ronaldo, uma das figuras centrais da selecção, foi transferido para o Real Madrid por uma verba recorde. Com tanto dinheiro envolvido e com um salário tão elevado, tem margem para cometer o mais pequeno erro?
Terá de assumir o seu estatuto de melhor e mais caro do mundo.

Comparando com Manchester, Madrid pode prejudicar o jogador?
O tempo dirá.

Esta época teve possibilidades de deixar o West Ham. Por que razão decidiu ficar?
Achei que devia lutar pelo meu lugar.

No final do contrato (2010) terá 32 anos. Gostaria de renovar ou estará na altura de um regresso a Portugal, por exemplo?
Quero jogar ainda mais três anos no estrangeiro, o ano que ainda me falta no West Ham e mais dois. Onde vou jogar durante esses dois anos - partindo do princípio de que tudo vai correr bem - logo se verá.

Vai fechar a carreira no estrangeiro?
Gostava de acabar em Portugal. Gostava muito de jogar pelo menos um ano no Belenenses. Também gosto bastante do Vitória de Setúbal e do Vitória de Guimarães.
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Isto são os resticíos do que o Belenenses foi e poderia ser. Ainda há quem nos veja com "carinho", como um clube que daria orgulho representar.
Poucas dúvidas restam de que somos nós, belenenses, quem mais mal nos trata.