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segunda-feira, 26 de maio de 2008

Uma vez, há 62 anos!

"Em 1945/46 o Belenenses ganhou o único campeonato que fugiu à hegemonia dos grandes."
"AS TRÊS TORRES DO CAMPEÃO COM GINÁSTICA MILITAR.
Capela, Vasco e Feliciano ficaram amarrados à história do Belenenses (e não só...) por grossos cordões de fama. Eram as torres de Belém. Formaram o esteio do único campeão que escapou à hegemonia dos três grandes. Na última jornada do Campeonato Nacional de 1945/46 o Belenenses precisava de vencer em Elvas para manter o primeiro lugar. Ao intervalo perdia por 0-1, resultado que servia ao Benfica (...) Naquele tempo falava-se de uma tradição arrebatante: a vertigem dos 15 minutos à Belenenses - no último quarto de hora viravam-se resultados, conquistava-se ouro, no ardor épico de pensar que tudo era possível, até o impossível. Aos 75 minutos o Belenenses empatou, por Quaresma, que despertava de madrugada e ainda noite feita apanhava o cacilheiro para estar nas Salésias à hora do treino, trabalhando depois o resto do dia como electricista. Cinco minutos depois por Rafael, o golo que valeu o título. Para estudantes de Letras, o êxito ficara a dever-se às duras sessões de treinos, "uma de ginástica... militar, outra de bola" que todos os jogadores faziam "antes ou depois de mais um dia de trabalho ou de estudos" que Augusto Silva, oficial de marinha e treinador (companheiro de jogo de Pepe e outro dos grandes símbolos do clube) lhes administrava.




O título custou ao Belenenses 957.317$29. As receitas não chegaram a 668 contos. O prejuízo, cifrou-se, pois, em 282.428$37."


O amor á mais bela camisola do mundo, a azul com a cruz de cristo ao peito;

"FELICIANO DEITOU FORTUNA FORA

Após a conquista do título, o profissionalismo, ainda encapotado em várias capas de hipocrisia, despontou para o seu fenomenal reinado. Em Belém houve relutância em aceitar o novo estado das coisas, mas... Capela haveria de transferir-se para a Académica, a pretexto de estudar - e foi substituído por Sério. Feliciano, imagem viva de um belenensismo como dificilmente voltará a haver, antes de partir para férias, corria sempre a assinar a ficha que o vincularia ao clube no ano seguinte, nunca lhe exigindo um tostão. Mas, no final da época de ouro, o Celta de Vigo acenou-lhe com um contracto fabuloso: 200 contos de luva e um salário mensal de 3000 pesetas - e ainda 300 contos para o Belenenses. Quase irrecusável, pois. Ficou de pensar. No regresso de veraneio, para espanto de todos, abeirou-se de Acácio Rosa e pediu para assinar mais uma ficha pelo Belenenses. Perdeu uma fortuna, mas ficou ainda mais azul o seu coração...


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Volvidos 62 anos sobre tão épica conquista, mais que os parabéns dá-se aqui um OBRIGADO aos "11" bravos que elevaram tão alto o nome da nossa mais fiel paixão, o Clube de Futebol "os Belenenses"

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